Descanse em paz, Belchior!


Nossa, estou muito triste mesmo!
Belchior era muito culto, mas também (e talvez por isso) angustiado ao extremo.
Tive o privilégio de dividir algumas canjas com ele, nos tempos do Piu Piu, 3º Whisky e Diálogo Bar, lá pros idos de 1980 e 81.
Eu estava recém casado, tocava à noite e dava aula de violão durante o dia, para segurar a onda da família recém constituída.
Em 1983, comecei o caminho de volta para a aviação, mas nunca mais me libertei de minha grande amante, a música e Belchior fez parte dessa minha história, não só pelos encontros (quando eu já era seu fã), mas por ter composto parte da trilha sonora da minha vida.
A música que postei - "Divina Comédia Humana" (1978) - é a trilha sonora do meu romance com a mãe da minha filha, que deu bom fruto (o melhor) em 1979, a nossa filha.
Mas desde "Como Nossos Pais" (1976), do LP Alucinação, Belchior já havia mexido com a cabeça de todos nós.
Era um tempo mágico, de músicas lindíssimas, de perfeita construção harmônica, poesia forte, direta e muitas vezes erudita.
Belchior não foi o que mais se destacou na mídia, entre todos os da época, mas certamente era o mais culto e inquieto emocionalmente.
Descanse em paz, querido Belchior!
"Não há mais nada pra se fazer, se não chorar sob o cobertor"
 (Tunai/ Sérgio Natureza)